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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Pequenas Histórias Que Sangram - Leviatã

Eu fui um cientista obcecado com os mistérios do mundo acadêmico, mas só quando meditei através das ondas de luz da radiação é que descobri as verdades escritas com luz invisível, bem à cima de nossas cabeças. Todas as respostas. Como balões de fala de personagens de histórias em quadrinhos. Ditando suas vidas, mesmo que eles não saibam que está lá.

Temos um freio no nosso dna. Um mecanismo de defesa, de funcionamento complexo e objetivo simples. Controle populacional. Um indivíduo único, pode através do meio e das circunstâncias, se tornar ignorante ou sábio. Mas as massas serão sempre estúpidas. Quanto maior o número de homens e mulheres no mundo, mais idiotas eles serão.

Talvez a Idade das Trevas tenha sido um exemplo desse mecanismo entrando em ação. E está acontecendo novamente. Você sabe do que eu estou falando, você vê, ouve, lê, bebe, sente e mastiga esse medo que está em todo lugar. Medo dos ignorantes e sua resposta bruta para o que temem. Todos nós tememos. Chamam isso violência. Chamam assim, o rubro e úmido fim de uma vida. Chamam assim a pele de aparência sintética que se criar entre as paredes de uma ferida. É o seu corpo e sua mente dizendo, "Eu sobrevivi, mas não vou ser mais o mesmo. Me arranharam, eu estou deformado".

É tudo tão doente não é ? E tudo tão grande. As coisas estão dando erradas, todas de uma vez só. O casco do navio está se rachando, por todos os lados. Não há esperança. A mordida do Leviatã, colossal. Engole tudo.

Os mais distraídos sequer notam que vão ser engolidos. Seguem suas vidas na língua da fera. Vamos todos ser levados goela à baixo, numa espiral patética de acontecimentos cheios de dor e horror, mas sem um pingo da dignidade que vemos nas apoteoses fictícias. Vamos todos ser digeridos no fogo da fúria da ignorância. Não há futuro por que você não pode imaginá-lo. O Leviatã engoliu o futuro também. Vai comer o mundo, do futuro distante até a primeira partícula de tempo. Chupando a existência como uma fio de macarrão.

Não há esperança. Então você não vai perder nada se tiver alguma esperança. O futuro só existe se você puder imaginá-lo.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Pequenas Histórias Que Sangram - Abortados

Mesmo esse texto é um aborto. Ficou mais de um ano perdido aqui nos meus rascunhos...

Todos estes são personagens meus, órfãos de seus contos originais, que possívelmente jamais serão escritos... seres sem casa, que neste exato momento se encontram reunidos... Em uma verdejante e infindável planíce, a grama alta ondula com os suaves sopros do vento. A grama só não é alta onde estão os órfãos, pra não atrapalha-los, ok ? Todos eles estão sentados em mesas de madeira (imaginem que são mesas e cadeiras muito bonitas), espalhadas pelo lugar (não muito distante umas das outras, eles não querem se sentir sozinhos); na mesa, há cigarros, e uma jarra de cerveja gelada, e copos, claro.

Todos estão lá. Até mesmo o pessoal do circo de horrores do conto perdido.

Charlie, the birdman está fora de foco, por que eu nunca decidi se ele era realmente um homem-pássaro ou não... Mas sabia que se ele fosse, seria azul. Charlie bebe e ri de mim, por que eu nem mesmo gosto de U2... Charlie me odeia, e nem sabe se tem um bico ou não.

O homem sem pele, do circo dos horrores não está sentado nas cadeiras de madeira, ele está sentado na poltrona feita com a pele de sua amante, a obesa Helga. O homem sem pele não me odeia; ao menos lembro o nome da namorada dele... 

O velho que transformou seu chantageador em cinzas de cigarro, está acendendo um charuto atrás do outro... dessas vez sou eu que ele quer sublimar.

No horizonte, hordas de zumbis, homens de silicone, robô alienígenas, ratos e exércitos extraplanares se aglomeram... Estão distantes de mais para serem vistos com precisão, afinal, nunca se quer pensei muito no assunto. Excluindo os ratos humanos, todo o resto anda muito manjado nestes tempos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pequenas Histórias Que Sangram - Satisfeito

Se olhou no espelho, careca e sem pêlos. Não gostou do que viu.
Deixou o cabelo crescer, um pouco de barba. Mas logo cansou.
Fez um moicano, cara de malvado e dentes tortos de abrir latas.
Desistiu.
Cabelo curto, comportado; aparelho nos dentes, óculos e sapato.
Bagunçou o cabelo, tirou o aparelho e jogou fora os sapatos.
Cabelo até o meio das costas, barba de heremita, roupa de mendigo.
Desistiu.
Tomou banho, raspando a barba, arrancando todo cabelo, rasgando a roupa.
Voltou pro espelho, careca e sem pêlos.
Gostou do que viu.
Gostou tanto que devorou o espelho.
Morreu cheio de si.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Sobre Heroísmo e Subjetividade

Quão celebrada é a sabedoria de tua raça ? Quão celebrada ela realmente deveria ser ? Ah, humanos, como podem vocês, serem tão arrogantes ? Tão ignóbeis ?

Que honra há em vir em minha casa, munidos de aço e vontade, para me sapararem das minhas tão amadas peças de ouro ? Por que tua realeza celebra aqueles que me causam tal afronta, mas condenam os homens que fazem isso com outros homens ? Por que não posso eu viver em paz ? Por que me chamam "monstro" ? Jamais invadi ou invadirei a casa alheia, no meio da noite, para matar e roubar, assim como vocês fazem agora.

Mas venham humanos, venham e dê-em um fim a minha vida, levem o meu ouro. Saiam daqui com a glória e a honra... mas não esqueçam, que no fim das contas, vocês são apenas uns covardes matadores de dragões.

PS: NÃO, eu NÃO sei usar os "porques", e nem vou aprender tão sedo... esse texto nem era pra ser postado aqui, mas se eu deixar no pc, é capaz de acabar perdendo ele, então, fica aqui. Fazia uns mil anos que eu não escrevia algo levemente bacana, tomara que meu "branco" esteja passando. Se não gostaram, fodam-se.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Para Onde Vão as Velhas Tele Senas ?

Existe por aí, um lugar chamado Maria Faustina, um condomínio velho numa parte desinteressante do centro da cidade. Você já passou por ele, você já leu a pixação na faxada dele infinitas vezes, mas você nunca o notou de verdade, é muito difícl fazer isso... as vezes não tenho certeza se eu mesmo o notei alguma vez, ou se inventei tudo isso.

O caso é que essa Maria me encanta, com seu corpo sem curvas e seu tom de pele acinzentado, de quem não quer conversa, de quem tem o pouco que precisa; uma certa aura de decadência pode ser sentida mesmo a oito quadras de distância. Nas janelas, quase nunca abertas, entrevejo coisas velhas e de velhos... Paredes mofadas, estantes com abajures de gatinho, espadas de São Jorge em cima de um mesosóico ar-condicionado, retratos de bebês e de antigos casais pregados nas paredes. Tele Senas guardas com rádios que não funcionam mais.

Nunca entrei no lugar, nimguém nunca entrou, Maria Faustina é mais que uma construção de concreto e vidro, ela é um estado de espírito... Para conhecer e ver o Maria Faustina, você precisa ESTAR Maria Faustina. Precisa sentir e saber como é o silêncio calmo e esquecido da casa de uma vó que nunca teve netos nem filhos; precisa saber das epopéias cotidianas dos velhos solitários; precisa sentir o cheiro da caixa de areia do gato da puta do andar de baixo; precisa ignorar os boatos sobre o porteiro fumar maconha e fomentar os boatos sobre o porteiro ser um ex-presidiário violento.

Maria Faustina com seus azuleijos de um azul claro, no banheiro; com piso de parquê nos corredores, com sua cota de fodidos, mentirosos e estupradores.

Hoje me sinto bem Maria Faustina.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

No Canavial

(Baseado em fatos reais)




Geremias (Gere), Vitorino (Torino) e Manuel (Nuel) haviam finalmente concordado que estavam perdidos. Após pouco mais de uma hora procurando uma pequena chácara no meio do canavial, os ânimos já estavam abalados o suficiente.
E foi aí que o carro pifou (não espere termos técnicos, porque eu não entendo porra nenuhma de carro - nota do autor). Sem mais nem menos, desligou e não ligava. Que fique registrado que era 1:32 da manhã.
Nem os barulhos da festa na chácara eram ouvidos. Apenas uma sinfonia de insetos e outros animais que porventura se escondem no canavial. E assim, Torino deu a sugestão que, por falta de outras melhores, foi acatada: usariam suas drogas lá mesmo, dormiriam no carro e de manhã procurariam como sair dali. Se você está se perguntando por que eles não usaram os celulares para chamarem ajuda, a resposta é óbvia: lá não havia sinal.

Baseado vai, baseado vem, uma luz surgiu no céu.
No começo era imperceptível (já olho pro céu num canavial? Tem bastante estrela, é bonito :) ), mas ela crescia a cada minuto. E logo perceberam que ela não estava crescendo, e sim se aproximando.

A nave pousou na sua frente, ao que Gere prometia parar de fumar. Torino, que sempre achou toscas as representações fictíceas de naves extraterrestres, ficou surpreso ao ver que ela realmente tinha o formato de um disco, soltava luzes e fumaças, e abria uma rampa para que seus ocupantes descessem.

A comunicação era difícil, ao que parece a frequência falada pelas Entidades Biológicas Extraterrestres (EBE's) era inaudível pra os humanos, e a solução, obviamente foi musical. O potente som desceu de um compartimento sob a nave e a rave começou.
Drogas psicodélicas foram oferecidas a Gere, Torino e Nuel, que dançaram como nunca tinham dançado, celebrando a perfeita união pacífica e bonita entre seres deste e daquele planeta.
Os EBE's se mostraram ótimos DJ's, ótimos parceiros de copo e ótimos amigos.
E a festa seguiu madrugada adentro.

Às 9:43, os seres consertaram o carro de Nuel, deram para eles um pouco de água redonda e foram embora.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Changes

Pre-scriptum: não fiquei particularmente satisfeito com o resultado deste conto. Queria mudar (ou prolongar) o final. Mas a inspiração e o tempo tão faltando. Então fiquem com a versão 1.0, qualquer dia eu posto o director's cut.

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Saulo acordou e sentiu um cheiro bom. Um cheiro feminino agradável. Não se lembrava de ter se dado bem na noite anterior. Na verdade pelo que se lembrava, tinha ficado em casa, bebendo sozinho e jogando video-game. Bom, devia estar enganado. Abriu os olhos.
O quarto era extremamente bem arrumado, mas nenhum que já havia visto antes. Levantou-se, fazendo um grande esforço para lembrar o que havia acontecido ontem.
Foi ao banheiro, olhou no espelho, mas foi um estranho o olhou de volta. Um homem de cerca de 35 anos, porte atlético, uma clave de sol tatuada no peito. OK, Saulo não era mais ele mesmo, e se perguntou se os anos de adolescência, banhados à LSD o haviam deixado maluco.
Resolveu entrar no jogo e ver no que isso ia dar. Escovou os dentes e desceu as escadas da casa. Passou por uma sala, e sentiu um cheiro bom na cozinha que ficava ao lado. Uma mulher maravilhosa estava fazendo café. Ao ouvir Saulo, virou-se, foi até ele, beijou-o e disse "Bom dia Ninho, dá pra você acordar sua filha? Ela não quer levantar de jeito nenhum".
A cada minuto, Saulo ficava mais confuso. Não disse nada e voltou a subir as escadas. Olhou por uma porta: era um escritório. Na segunda porta, uma garotinha de 5 anos dormia abraçando um gato de pelúcia. Saulo foi até a garota, que abriu um olho, e ao vê-lo abriu um sorriso, e disse "Estava sonhando com você, papai!"
Saulo deu um beijo na garota, disse para ela se levantar e descer, pois mamãe a esperava.
Voltou até o quarto que acordara e viu, sobre uma cadeira, um uniforme de policial. Na plaquinha de identificação lia-se “Of. Antônio M.”. Vestiu-se, desceu, comentou sobre o tempo com a mulher, bebeu seu café e foi trabalhar. Saiu com o Palio que estava na garagem e foi até a Delegacia do bairro, torcendo pra estar indo pro lugar certo.
Chegou ao 32º DP sem saber muito o que fazer. Entrou e deu de cara com uma mulher idosa numa mesa, que sorriu para ele, entregou-lhe uma chave e disse "Bom dia, Toninho! Hoje sua ronda é no São João, OK?". Na chave, o número 102 estava gravado. Saulo foi até o pátio, achou a viatura 102, ligou-a e dirigiu-se ao bairro São João. Que por acaso era o bairro que ele costumava morar.
Resolveu passar em frente seu (antigo?) lar, e sentiu uma sensação estranha ao ver sua figura andando a esmo na rua, olhando para todos os lados, o desespero estampado no rosto. Saulo já tinha visto esse tipo de filme, e tinha certeza de que o oficial Antônio M. agora controlava o que costumava ser seu corpo. Antônio M. parecia muito mais confuso do que ele, e Saulo entendeu o motivo. Até o presente momento, não havia conquistado nada em sua vida, vivia ainda às custas dos pais, não conseguia emprego, morava nesse muquifo no centro, vivendo um dia após o outro sem perspectiva de mudança. Antônio M., por outro lado, parecia viver uma vida segura, fruto de muito esforço e conquistas difíceis. Constituiu uma família, tinha casa e um bom emprego, e de repente acordou vivendo a vida de outra pessoa, de um bostinha qualquer.
Saulo sentiu pena da situação de Antônio M., sentia-se um pouco culpado por estar aceitando essa troca tão naturalmente. Queria fazer algo quanto à isso, mas instantes depois, resolveu que não faria mal viver apenas um dia uma vida segura e feliz.

Após o trabalho, Saulo negou o convite dos amigos de ir ao Matsubasa tomar algo, e foi direto pra sua casa. E percebeu que já estava chamando aquela casa de “sua”.

Passou uma noite agradável com sua família, viu um filme com a filha, e deitou-se cedo com sua esposa. E então teve um surpresa deveras agradável. Descobriu ela, além de maravilhosa, era ótima na cama, a melhor que já teve. Passou uma madrugada muito prazerosa, e depois dormiu profundamente.

Na manhã seguinte, Saulo acordou pensando em como iria conseguir reverter tudo isso. Lembrou-se da imagem dele mesmo vagando confuso pela rua. Iria hoje mesmo falar com o Antônio M. e juntos descobririam um jeito de acertar as coisas.
Lembrou-se do emprego, da casa burguesa, da filha, da segurança. Foda-se, ele nunca quis viver assim. E aí virou-se na cama e viu “sua” esposa dormindo, o belo corpo iluminado pelos primeiros raios de sol da manhã.
E então mudou de idéia e decidiu que não, não faria porra nenhuma para reverter a situação.
O ser humano é desprezível.

domingo, 17 de agosto de 2008

Sobre a Inevitabilidade das Coisas Numa Infestação Zumbi Apocalítica



É impressionantes como a galera nos filmes de zumbis é lerda e burra.

Todo mundo sabe que quando alguém é mordido, vai morrer, virar zumbi! Isso é lógico! E mesmo assim, nos filmes e HQs, e jogos, e coisas do gênero, as pessoas simplesmente só descobrem isso quando é tarde demais, e do pior jeito possível. Até parece que não têm cultura!

Não que eu seja um nerd, viciado em HQs, filmes, jogos ou algo assim, mas porra... todo mundo já viu um filme thrash do gênero, certo? Isso é um verdade universal, que todo mundo sabe, assim como todo mundo sabe que aranhas têm veneno, ou que cachorros espumando têm raiva.

Outra coisa estúpida é o modo como esse pessoal sempre insiste em manter seus amigos e entes queridos mordidos por perto, na esperança de que ele não virem zumbis, apesar de ninguém tenha escapado dessa regra, desde que a infestação começou. Eu sei que é difícil meter uma bala na cabeça da sua namorada, ou –que Deus nos livre de ter que fazer isso- da sua mãe. Mas fato é fato: foi mordido? Pode matar, ou abandonar, ou seja lá o que pareça mais apropriado pra sua sobrevivência!

O que estou tentando dizer é: eu sei que seu irmão é um cara legal, mas manter ele no porão não vai trazer ele de volta, e se ele escapar só vai fazer mal pra colônia que nos acolheu e nos tirou do inferno que tá essa cidade. Se você quiser eu faço isso por você.

-Pro inferno com isso, você tá certo. Me dá a pistola, vamo acabar logo com essa merda...

domingo, 10 de agosto de 2008

Protocolo 12

Meus caros, azarados e eventuais leitores, esse é só mais um texto... escrevi numa madrugada dessas, (ainda sem internet!!) sem pensar muito, por exercício, mais pra me divertir escrevendo do que para divertir vocês. Mas, como ainda não posso postar com a freqüência que gostaria, resolvi trazer até vocês o meu mais novo conto, recém intitulado “Protocolo 12”... que fala sobre muitas coisas das quais já falei em outros contos, mas... este foi se auto-escrevendo, caso acharem muito ruim, reclamem com o texto. Sem mais delongas, leiam esta porra e deixem suas opiniões.

PS: Desculpem a sinceridade, mas, não tenho nem talento, nem vontade de revisar o maldito (quem sabe a Aluada não faz isso pra mim um dia ?).

Set'Enor havia sobrevivido doze invernos, tornara-se efetivamente um homem aos olhos de todos de sua tribo; segundo a tradição, um dos anciões da tribo deveria ensinar-lhe os segredos de algum ofício. Set era fraco e magro demais para ser um guerreiro, desajeitado demais com armas para ser um caçador, e esperto demais para ser um escritor de novelas; de modo que o velho Anm' Der tomou o jovem como um de seus aprendizes nas artes dos Segredos.
De todos que podiam reivindicar Set'Enor como aprendiz, o velho Amn era o mais improvável, pois como a maioria dos sábios, vivia errante pelo mundo. Vinha do leste, escolhendo jovens por todas as aldeias que passava; somente os mais promissores eram escolhidos para se juntarem a ele, de modo que ao chegar nas terras onde vivia Set, o grupo não possuia mais que sete membros. Depois a pequena expedição deteve-se as margens do Rio Att'Vek, onde Amn iniciou os ensinamentos dos Segredos.
Mesmo que incrédulos, todos houviram a fantástica história de Amn, sobre uma estrela de metal, que pode ser vista com algo que havia sido construído em uma montanha muito distante de lá, algo chamado “telescópio”; havia ainda o fato de que ao usar a areia do deserto de Gah'Rek podia-se de alguma forma entrar em contato com o Deus dos Segredos, que ao mesmo tempo que era a estrela de ferro, era os pensamentos daqueles que o louvavam... Todos ficaram imprecionados, pois já haviam ouvido ao menos uma história sobre a magia que os sábios possuíam, capaz de fazer praticamente qualquer coisa . O grupo prmaneceu próximos ao rio até o fim do Tempo da Fartura.
No início do Tempo dos Ventos (um pálido equivalente a nossa estação do Inverno) Amn'Der recomeçou sua viagem, rumo ao Deserto Gha'Rek, onde os guiaria, e os levaria a verdadeiramente desvandar Segredos que cercam todas as coisas existentes. O percurso até o deserto foi penoso, durante todo o Tempo rumaram para o sul, passando por quase nenhum território de tribos aliadas; justamente no oitavo dia de viagem, Mih'Ald, (um aprendiz moreno e um tanto elíptico) foi devorado por um urso. Mais alguns tiveram sua viagem interrompida de forma semelhante, houve o que foi pego por uma flecha envenenada nas planícies Denne; Hal'Ile quebrou o pescoço quando despencou de uma trilha nas montanhas.E, houve o caso do menino que simplismente sumiu no meio da noite, enquanto acampavam na floresta de Tep'Mes.
De fato, quando chegaram ao deserto de Gah'Rek, restavam apenas três aprendizes, dos quais Set era um; além dele havia Ad'Lagor e Dra'Ath. Ad'Lagor, na língua dos povos civilizados significava “Estranho”, pois assim era o rapaz que atendia por este nome; a pele branca, os olhos e os cabelos negros e o hábito de descascar frutas antes de comê-las era algo que nimguém havia visto ainda, Amn e o garoto se faziam de desentendidos quando quetionavam sutilmente a origem do menino, e quando os questionavam de forma direta, eles faziam-se de mudos.
Sobre Dra, não quero comentar nada.
Vemos agora os três, observando Amn que esta dentro de um círculo, que por sua vez está dentro de outro maior, que também está dentro de outro maior. Em algumas partes do círculo há pedras, cristais, crânios e símbolos estranhos.
Apenas mantenham seus ouvidos atentos, e não entrem nos círculos – o velho está sem seus trapos, o corpo é só costelas e rugas, fazendo-o parecer um osso roído. A mão enrugada desce suavemente e apanha um poucou da areia vermelha que cobre o deserto, pondo-a então nos próprios olhos. Com uma careta, sua alma abandona o corpo apodrecido, e outra coisa entra na veste mortal. A coisa fala, com olhos da cor do deserto.
Prestem atenção organismos de significancia quase equivalente ao nulo, pois vou lhes relatar o que aconteceu a Éons atrás, mas que deixa suas mentes primitivas tão perplexas. Em uma data ainda incerta para nossos métodos atuais de investigação, um grupo de seres de classe 01 (--///status incalculável%%%X_*), resolveu criar um novo tipo de Existência, algo limitado, de fácil controle e pouca duração. Criar ou desfazer este tipo limitado de realidade é tão fácil e versátil que universos podem ser usados como brinquedos pelas crianças; como terreno de testes para cientistas, ou simplismente para se colocar na estante. Esta é a origem do que pode ser chamado de Multiverso.
Este mundo, este universo, está separado de um número incalculável de outros mundo apenas por uma vibração de valor infinitesímal, ainda incalculável para nossos programas. Atzzzzzzkxxx
Os três demoraram um pouco para entender que os ruídos horrendos não deviam fazer parte do ato... na verdade, não fosse os olhos de Amn termer explodido e ele ter arrancado quase todos seus dentes em um acesso de franesi, talvez jamais tivessem notado.
Coicidentemente todos os sábios que estavam realizando o ritual do Grande Segredo naquele momento, tiveram um fim igual ao do velho Amn, os que sobreviveram perderam todas suas capacidades de hiper-raciocínio... Além de ficarem com uma puta dor de cabeça.
Fragmento do Relatório do Agente Abdriel, em relação ao descobrimento de um Arquivo Cronológico.
“O fragmento de Arquivo Cronológico foi encontrado orbitando um planeta de baixíssimo nível evolutivo, tratasse de algo que julguei nem mais existir, um pedaço velho e fossilizado do Arquivo Cronológico original, feito de materias físicos, e não de psico-plasma. De uma forma que ainda não consegui compreender totalmente, a radiação do “satélite” modificou a estrutura atômica dos atômos de cilica, fazendo com que quem “ingerisse”* de alguma forma a cilica modificada, entrasse em contato com o conteúdo do computador**. O ancestral do nosso Arquivo, continha um número ridículo de informações, mal armazenando o conhecimento de três mil anos em seus sistemas. Existe perigo em relação a estabilidade do Universo em questão, sugiro iniciar Protocolo 12 o mais rápido possível.”
*está palavra e “alimento” saíram dos dicionários do incosnciente coletivo a muito tempo, mas mandarei a definição delas num próximo memorando.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Amigo de um Amigo

Ouvindo Smoke on the Water ontem, lembrei de uma história curiosa sobre um cara, um amigo de um amigo meu. Esse amigo de meu amigo, chamava-se Q*, vivia numa cidadezinha chamada Merreca do Norte, no sul Rio Grande do Sul. Conta ele que certa vez, ao andar pela praça da cidade (sim, só tem uma), viu um cara de cerca de 26 anos sentado no banco (sim, só tinha um). O rapaz era alto, magro, cabeludo e bebia demais. Q* sabia disso pois ao passar pelo rapaz, este o abordou dizendo:

-Cara, eu bebo demais!

Nessa época de sua vida, Q* estava tomando remédios para controlar a depressão, cujo efeito colateral era deixar a pessoa um tanto quanto distraída, o que explica a razão de Q* quase sempre responder às pessoas com um “Quê?”

-Quê?

-Eu bebo demais.

-Hmm...

-É sério, olha só, nesse momento, estou vendo você com uma blusa vermelha.

-Mas eu estou com uma blusa vermelha!

-E agora sinto como se você tivesse acabado de dizer que está com um blusa vermelha.

-Mas eu—

-Shhh!

-????

-Han?

-Porquê você mandou eu ficar quieto?

-Eu?

-Sim, você acabou de fazer “shhhhh”...

-Não, eu fiz “Shhh!”.

-E aí?

-Tudo certo, e você?

-Não! E aí, porque você fez “Shhh!”?

-Ah sim, é que o velho Bruce Wayne passou por nós.

-O Batman?

-Oooo! Não fale isso em voz alta! Caralho, achei que só eu soubesse o segredo dele...

-Você se refere àquele velhinho ali?

-Sim.

-Mas aquele é o Seu Vieira, dono do bar (sim, só tinha um).

-Isso, isso, vamos deixar isso combinado.

Nesse momento, Q* percebeu o que estava fazendo nos últimos 2 minutos:

-Olha cara, eu preciso ir... nem sei porque estou conversando com você em primeiro lugar...

-Eu bebo demais.

-Sim, eu já sei, e daí?

-Não, nós estamos conversando porque eu bebo demais.

-Olha, tenho mesmo que ir—

-Afinal, você é só um produto da minha mente de alcoólatra.

-Não, senhor, eu sou muito real, se tem alguém aqui imaginário, provavelmente é você!

E com essas palavras, o rapaz sentado no banco desapareceu. Do nada. Sem deixar vestígios. Fim. C’est fini. Q* percebeu que dezenas de pessoas estavam ao seu redor, olhando para ele.

Q* hoje vive feliz com seus iguais num Manicômio em Santa Rita do Passa Quatro. Passa o dia conversando com seu amigo alcoólatra e limpando sua coleção de LP’s do Deep Purple, a qual ganhou como herança de um dos seus colegas de quarto.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Sobre Amor e Enganos

Então, havia essa menina. E eu me apaixonei por ela, e ela se apaixonou por mim.
Mas a família dela não me curtia, muito menos o bode velho do pai dela. E ele achava que eu não era bom pra ela.
Mas eu não tenho culpa se ela curte pinto grande, a gente se curtiu e pronto.
E um dia, indo buscá-la na casa dela, encontro o nazista safado que me diz que eu nunca vou ser nada na vida, que estou acabando com a família dele, que isso só pode dar merda, e ainda faz uns comentários anti-semitas
-Mas você não é judeu, cara...
-Mas ele não sabia disso, e cala a boca que é minha vez de falar.
E aí eu fiquei com vontade de matar o gordo chifrudo, e como eu não passo vontade, mandei um pacote especial pra casa dele, e hoje ele dorme com os peixes.
-Ah, mas como assim, pacote especial?
-Ah, esquece, você não pega o poético da coisa, tô de saco cheio. Me diz logo quantos pai-nossos eu devo rezar e vamos acabar logo com isso.
-Mas eu não sou padre.
-Não?
-Não, sou vendedor de peixes.
-Ah então acho que você sabe demais.
-Mas peraí, é brincadeira não é?
-Não, eu pareço que tô brincando?
-Pô, mas você vem aqui contar isso pra mim, eu achei que todo mundo que viesse aqui contasse algo inventado na hora.
-E eu achei que você fosse padre.
-Sabe de uma coisa, eu não sei mais o que tá acontencendo, vou embora, e chega dessa palhaçada, avisa o Louie que eu não volto mais.
-Você conhece o Louie?
-Conheço, poque?
-Ah, esquece, e esquece aquilo de você saber demais, tá tudo na boa, até mais.
-Tchau.
-Tchau, padre.


("conto" escrito em 6 minutos revisado em 1 e meio, enquanto espero uns amigo virem me buscar pra tomar cerveja)

sábado, 10 de maio de 2008

Sobre ectoplasma e Nicotina.

Meu nome é Earl... e eu morri faz uns dois meses atras... um tiro bem em cima da orelha direita,,, a queima-roupa... deve dar pra notar, não precisa fingir que não; as pessoas acham que me importo q fiquem olhando os pedaços do meu cérebro trabalhando ou essa porra de olho dependurado... mas, o que posso fazer ? É meio engraçado mesmo.

Dois meses cara... dois meses que eu tô andando pela cidade, atravessando paredes e vendo as pessoas por aí. lembra dos filmes ? Diziam que as pessoas viravam fantasmas (he, ainda não acostumei a pensar que sou um... fantasma) porque tinham assuntos inacabados com o mundo dos vivos; isso é bem verdade... tem muitos que nessa por causa de vingança... por amor ou por culpa... eu... cara, é idiota, mas não sei por que ainda tô aqui.

Vou te contar umas coisas, tu é novato por aqui... eu também, mas sei umas coisas que podem ser úteis; senta aí na calçada. Pra começar, tu já deve ter visto uns outros "de nós" por aí... São mais brilhantes que os caras vivos, né ? Tipo uma aura, como se tivessem com um holofote em cima da cabeça. Bom, tem um pessoal que sempre aparece por aqui, uns são gente boa, mas a maioria é um pé no saco... sempre se remoendo e choramingando de como era bom estar vivo... sinceramente, ter que cagar e pagar contas não me parece muito digno de saudades. O que tinha de bom ? Talvez se eles fossem ricos ou tivessem uma mulher gostosa... mas eu, eu só tinha as provas da faculdade e as minhas revitas; falando nisso, tu já gosta de história em quadrinhos ? Cara, morreria de novo só pra saber como é o final de Y!! não conhece ? Ah, esquece.

Voltando a falar do pessoal, tem um muito figura, o Antony... atropelou um moleque... fugiu e deixou a criança pra morrer na rua, ele tava em pânico, disse que quando se flagrou, já tava em casa. o cara se sentiu um merda, não culpo ele, eu me sentiria também... mas, vê se não é coisa de babaca, o Tony resolveu se matar pra fugir da culpa, que a essa altura não deixava ele nem olhar na cara da própria esposa. O cara foi e cortou os pulsos... tudo pra fugir da culpa; he, não deu muito certo, ele continua aí... se sentindo o mais fudido dos seres. Ele é legal, saca ? Da pra conversar na boa com ele... (e isso é ainda mais valioso depois da morte, quando se é um fantasma, conversar é umas poucas coisas que dá pra fazer) mas nem pense em pronunciar qualquer frase em que a palavra "carro" se encontre com "criança", quando ele tiver por perto.

Aí eu me pergunto... como é que ele cortou os pulsos e não tem nem marcas do corte, enquanto eu, fico parecendo o uma bosta de zumbi do Romero, com o olho dependurado e o cérebro aparecendo. Tenho uma teoria quanto a isso: nossa forma "fantasmagórica ", é definida pelas lembranças que nós e os vivos tem da gente. Quer dizer, eu não era um cara muito popular, então é mais fácil ser lembrado como o cara que ficou com a cabeça detonada do que como o cara que gostava de física. É foda, pensa nas celebridades, as pessoas sempre vão lembrar deles no auge da beleza e do sucesso... Os desgraçados tiveram tudo do bom e do melhor em vida, e quando morrem, ainda perdem todas as rugas. Falando nessas coisas, do que a gente traz ou não pra cá... acredita que não da pra se livrar dos velhos vícios ? Sério! Anida tenho uma vontade fodida de beber cerveja nos dias de calor... quer dizer, nos dias de sol forte, por que nem dá pra sentir direito as diferenças de temperatura, né ? A gente fica mais dormente quanto a isso. mas tem outras coisas que compensam, não sei se tu vai acreditar em mim... mas tem um vampiro que mora no Fuccini, aquele bairro perto do porto... eu sei por que quando eu vejo ele, da pra ver o sangue dos caras mortos correndo por ele... Da pra ver cada traço doentio dele, que os caras vivos não conseguem ver; e mesmo não diferenciando bem as temperaturas, quando tô perto dele, sinto um frio desgraçado. Tipo, quando foi que tu ouviu falar dum vampiro que suga fantasmas ? Pois é, mesmo assim não gosto de ficar do mesmo lado da rua que aquele doido.

E os animais ? uma ou duas vezes vi fantasmas de cães, e um vez vi uma coisa num telhado, que se parecia com um gato. mas ainda não vi nenhum pássaro ou peixe... nimguém deve ligar muito pra eles quando tão vivos. o doc, um mendigo que morreu de tuberculose aqui perto, uma vez me contou que viu um peixe... que o bicho nadava pelo ar. deve ter sido bacana... bem psicodélico.

Quer um cigarro ? Olha como eu sô um car de sorte, vê como eu tenho motivos pra gostar mais daqui do que do mundo vivo... eu trouxe cigarros!! Não deixo mais nimguém saber disso, então espero que tu saiba guardar segredo. Por favor não conta pra nimguém!! Mas uma coisa muito importante agora: tens fósforos ?

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Texto escrito sobre a total influência da nicotina

domingo, 13 de abril de 2008

A Breve (porém bela) História de Jenipapinho Silva

Jenipapinho Silva cresceu na casa da família em Santos Postes – MG. Lá moravam ele, a mãe, o pai, a mãe da mãe, a mãe do pai, o pai da mãe, o pai do pai, o irmão da mãe, a mulher do irmão da mãe e a irmã do pai.

Jenipapinho gostava de biscoito e era um garoto muito inteligente, mas não muito esperto. Sabia toda a tabuada do sete, mas não conseguia convencer a mãe de que o vaso da sala caiu no chão e quebrou-se porque sua avó (dele, não dela) o acertou com sua dentadura (dela, não dele) ao tentar morder à distância um brownie abandonado na mesa de jantar.

Jenipapinho também não conseguia convencer ninguém (exceto seus amigos Xande, Fróid e Bílio) de que ele era destinado a ser um herói e mártir num planeta distante, localizado nos confins do universo.

Essa história foi contada várias vezes ao longo dos 11 anos de Jenipapinho, porém ele realmente não conseguia convencer ninguém a acreditar nela (exceto seus amigos Xande, Fróid e Bílio).

Até que um dia, ou melhor, uma noite, na noite do dia 23 de Outubro de 1989, Jenipapinho Silva despediu-se de sua mãe, seu pai, a mãe de sua mãe, a mãe de seu pai, o pai de seu pai (o de sua mãe morrera ano passado), o irmão de sua mãe, a mulher do irmão de sua mãe, as filhas do irmão de sua mãe, a irmã de seu pai, o marido da irmã de seu pai, o cachorro Bigby e de seu gato sem nome (ele nunca vira sentido em dar nome à um animal que não atende por ele). Disse que havia chegado a hora, e que estava de partida para o planeta distante, nos confins do universo, onde seria, um dia, herói e mártir.

-Dorme bem meu filho, lembra que amanhã ocê tem que acordar cedo pra missa do seu avô – foi tudo o que disse sua avó.

E ele partiria sem saber porque sua avó sempre o chamava de “meu filho”, sendo ele seu neto.

No meio da noite, a casa toda acordou com um grande clarão, que irrompeu nas janelas dos quartos e durou 5 segundos. A casa voltou a dormir, achando se tratar de um relâmpago, embora houvesse a ausência de barulho.

No dia seguinte, tudo o que havia na cama de Jenipapinho Silva era um bilhete, onde as palavras “Até mais, e obrigado pelos biscoitos” estavam escritas à caneta esferográfica vermelha.





(Agradecimentos: Valeu Luis Fernando Verissimo, valeu Douglas Adams)

sábado, 12 de abril de 2008

"A Pizza que se transformou em telefone"

Acordei de madrugada, com fome...fui na cozinha e abri a geladeira...a pizza que eu tinha posto lá do lado do leite... NÃO estava lá... nem do lado do leite, nem atraz das cervejas, nem perto do peixe do congelador ou da bandeija dos legumes (os meus se resumiam a um brócolis mofado e um cadáver de barata). De novo a mesma coisa... não é primeira vez que somem as porcarias que ponho na geladeira... talvez a Roberta tivesse acordado mais cedo e assaltado a geladira antes... mas eu não conhecia nenhuma Roberta, e morava sozinho.

Fui pra sala, com uma cerveja na mão e o controle remoto na outra, zapendo os canais atraz de pornografia... Eram 06:37, não havia pornografia a essa hora, não é o tipo de coisa que um operário quer asistir enquanto toma café... todos os 80 canais se resumiam em jornais e desenhos para crianças pequenas. Os jornais me entediavam, os desenhos mexiam com meu instinto suicida; encontrei uma calça suja atraz da porta, peguei a carteira e desci as escadas... eu ia pra rua.

Ia, por que não cheguei lá... assim que fechei a porta, ouvi o telefone tocar...detalhe, eu vinha morando ali nos ultimos 8 meses, e não havia telefone na casa! Entrei rápido e atendi.

- Alô.

- Oi meu amor - a voz era de homem

- Quem fala ?

- Quem fala aí ?

- Eu perguntei primeiro

- Não, fui eu!!

- Eu !!

- Eu quem ??

- Osvaldo ?

- Que Osvaldo ?

- Pára Osvaldo, é tu, não é ?

- Osvaldo o caralho rapaz!! Quem tá falando ??

- Pára com isso Osvaldo, tá de sacanagem comigo!

- Eu quero saber quem tá falando !!

- aqui é o Leopoldo... aí não é o Osvaldo ?

- NÃO, aqui é Veredas; e quero falar com a Samira, avisa que é o pai dela...

- Não tem nenhuma Samira, aqui não...

- Mas rapaz, esse não é o 32745288 ?

- Acho que não... acho que o Osvaldo colocou esse telefone aqui ontem...

- Só tem idiota nessa cidade, eu te falei Antônia!! - no fundo uma voz de mulher resmungava "Calma Veredas!! Calma!!"

"tu; tu; tu; tu; tu; tu"

sexta-feira, 28 de março de 2008

Sobre Coisas que encontramos no chão

Calor...tédio...as moscas zumbindo e pousando de forma irritante como naquele filme de bang bang que o pai dele adorava...como era mesmo o nome?? Vai saber, a memória dele nunca foi muito boa pra cinema..."ele" em questão é o Jaime... quele cara ruivo deitado ali no sofá; as moscas estão voando perto da cabeça dele, viu?? Os all star riscados e seu pôster do Mucous Membraine não escondem que ele é mais um adolescente subproduto da Mtv brasileira...sim, Jaime também é um brasileiro...tão idiota quanto você custumava ser na idade dele... ou vai ser... Jaime tem 17 anos.Mas o calor continua,o suor faz suas costas grudarem na couro falso do sofá, as moscas zumbem com ainda mais vontade ;a tarde talvez ficasse menos intediante se pudesse se masturbar, mas não passava nada com um conteúdo mesmo que levemente erótico na Globo ás três da tarde; pelo contrario, as faces rosadas e felizes daquelas crianças do filme só faziam-o ter vontade de cagar na boca delas.

As opções não eram muitas... resignar-se e morrer de tédio logo ou descer até a rua e ir na videolacadora alugar qualquer filme com um título tipo "Taradas por um cavalo" e bater punheta até cansar...ou...ou...ah!! Tem aquele cubo mágico que ele achou no chão, na frente daquele boteco onde tinham matado um cara no ano passado. Em termos de atividades sem finalidade alguma, isso ficaria entre se masturbar e morrer de tédio... não era tão bom quanto um orgasmo...mas não era tão tedioso quanto assistir aquele maldito filme. A ida até o quarto foi um mártirio, qualquer movimento era dificultado pelo súbito peso que seu corpo parecia ter adquirido, só teve sossego quando uma brisa fria entrou pela janela da cosinha e atingiu seu rosto...abriu a porta do quarto e começou a procurar pelo cubo, estava lá; no bolso de fora de sua mochila, exatamente onde deveria estar. Pegou aquela obra prima da tecnologia da década passada e contemplou-a com uma cara abobalhada, parte pelo sono que o tomava ... parte pelo fato de realmente ele ter uma cara de abobado. Ligou o rádio e pôs o Doors para tocar...

A televisão ainda estava ligada na sala... mas foda-se, não era ele quem pagava a luz. "Riders on the Storm" tchandadadan..."Riders on the Storm"... ritmando como um coração de algum monstro velho e gordo... Jaime girou a primeira fileira horizontalmente e mechendo com a

parte do meio de forma vertical...as peças amarelas se distanciaram das verdes e se a proximaram das vermelhas, mas o cérebro de Jaime não processavam mais merda nenhuma além do fato de que brincar com aquilo era terrívelmente chato e estressante. Só uns segundos depois que ele notou que podia formar uma lateral inteira do cubo com os quadradinhos azuis com não mais que três ou quatro movimentos, isso indiziu um pouco de adrenalina em seu cérebro adolescente. Rapidamente ele moveu o cubo e quando deveria fazer o último movimento houve um estalo seco. Jaime sentiu uma vontade incontrolável de espirrar e teve coceiras infernais nas axilas e nas costas... sem falar que a bixiga dele parecia que estava queimando... de olhos fechados ele não pôde ver que tinha saído do quarto que ele conhecia.

Quando levantou da cama Jaime procurou pelo cubo perto de seus pés mas não o achou... aquele ataque bizarro tinha passado tão rápido quanto surgiu e só restavam os olhos lacrimejantes e a bexiga implorando pra ser esvaziada, ia procurar a porcaria do brinquedo depois que desse uma boa mijada. No banheiro os azulejos faziam o ambiente manter um frio agradável, melhor que no resto da casa... depois de mijar ruidosamente puxou a descarga e saiu o quarto.Quando entrou denovo no quarto deu um pulo pra traz e soltou um grito que ele mesmo definiria como "fodidamente gay"; deitado na cama de Jaime,havia um homem magricelo e feio, a cara enrugada e os cabelos ralos pareciam muito com a das pessoas atacadas por lepra que nosso herói tinha visto num site que um amigo dele visitava.

- Sai do meu quarto, porra!!Quem que tu é?? -Jaime pôs as mãos em concha bem no meio da testa como sempre fazia quando o pânico tomava conta dele; havia algo de estranho naquele homem... não era apenas a feiura... tinha algo nele...algo que não era real e isso fazia um mal terrível a sanidade do garoto.

Por um instante o visitante ignorou as frases, na verdade, olhou para os lados como que procurando a pessoa com quem Jiame falava... mas depois de uns dois segundos o feioso olhou fundo nos olhos do adolescente e disse em voz baixa...

- É comigo?? - ele apontava para si mesmo com o fino dedo indicador e tinha uma careta intrigada no lugar do rosto

Os olhos do intruso eram totalmente negros e Jaime gelou até a espinha quando notou isso,

-Caralho!! Claro que é cuntigo!! Que tu quer aqui!! Vai imbora!! - Jaime não sabia de onde aquilo tinha saído,mas nem se importava, só queria que aquele cara horroroso saísse de cima da cama dele. O suor comessava a escorrer, um suor que não vinha do calor,o suor do nervosismo.

O homem passou as mãos nos poucos cabelos que tinha na sua cabeça e fez um outra careta, dessa vez uma expressão de "oh merda" surgiu em meio as rugas e ele resmungou,

- Porque no meu turno?? - inclinou a cabeça pra traz lentamente até cair deitado novamente-tem certeza que pode me vêr??

- Que merda de pegunta é essa?? CLARO que eu posso te vêr!! - ótimo, aparentemente sua casa tinha sido invadida por um leproso drogado que achava que era invisível.

- Odeio quando isso acontece- o feioso resmungou para si mesmo -Bem, Jaime, não era pra você estar aqui meu amigo.

- Essa é a merda do meu quarto!! Minha casa!! Claro que eu devia tá aqui!! Tu é que não devia!! - a cada segundo aquela situação parecia mais bizarra e dissonante - Quem tu é??

-Na verdade você não está mais no seu quarto... pelomenos não no propriamente dito...- mecheu no bolso da calça e tirou um maço de Marlboro Vermelho, acendeu um (usando um isqueiro roxo ridículo) e tragou profundamente - Vai ser um dia longo... já vi que vai!! - soltou a fumaça.

-Foda-se o teu dia cara!! Esse é meu quarto e já falei pra sair da minha casa!!

O leproso, ou sejá lá oque a mente idiota do Jaime achasse que Guilherme fosse (sim,era esse o nome dele) passou a mão no rosto e disse de fomar impaciente...

- Tá, calaboca Jaime, calaboca e me escuta!! Esse não é o teu quarto real, é só uma ilusão emitida pela ressonãncia da energia do teu verdadeiro quarto; esse não é o plano material... pode parecer muito metafísico pra você mas tudo aqui é construído por forças neutras e karmicas...- olhou sério para o garoto.

- Quê?? - Guilherme notou que Jaime estava mesmo confuso...

- O.K...vou ter que te explicar isso de outra forma... vamos até a sala - e seria mesmo um dia terrivelmente longo.


Quando chegaram na sala Jaime ficou abismado quando olhou para o sofá... parlisou; seus olhos não consseguiam parar de olhar pra aquilo. Poderia fazer você entender melhor o que era "aquilo" se chamarmos a tal coisa com seu devido nome, e a palavra para definir "aquilo" seria, "tentáculo", embora é claro, "tentáculo verde e com alguns pêlos" defininisse ainda melhor "aquilo", mas mesmo assim não falaria das verruguinhas pretas... intão... bom... "aquilo" era na verdade uma porcaria bem difícil de se definir. E definitivamente não era o tipo de coisa que Jaime estava acostumado a ver fora dos filmesde terror.

-Mas... oque que é... ??- o olhar dele ia de Guilherme para "aquilo" e de volta para Guilherme... naquele silêncio pôde ouvir Jim Morrison resmungando baixinho no rádio do seu quarto... Mais uma tragada do cigarro e Guilherme estava pronto pra começar a aula...

-Isso é uma presença parasítica, feita basicamente de fluídos negativos e ectoplasma residual, se alimente de material incefálico de qualquer tipo. mas adora mostarda também.

Uma olhada rápida e constatou que o adolescente cuntinuava tão desinformado quanto antes, talvez até um pouco mais agora. Então tentou ser mais direto.

- Essa coisa feia aí é produto de energia ruim e pedacinhos da coisas da qual são feitos os fantasmas... daria até pra dizer que ela é um tipo de... "emoção fantasma" e se alimenta de coisas que tem no teu cérebro... prefere lembranças não muito revisitadas, são mais fáceis de pegar.

-Quer dizer que isso come meu cérebro?? E que é um fantasma?? Tem uma porra de fantasma debaixo do meu sofá?? - Jaime quase podia rir de todo aquele caos que tinha virado a sua casa.

-Basicamente é isso... mas não se preocupe,ele só conssegue fazer isso quando você dorme aqui no sofá - o cigarro já estava na metade agora. Os dois notaram que "aquilo" que saia de tras do sofá tinha um olho na ponta e estava assistindo atentamente ao filme das crianças rosadas.

- Isso não devia tá aí!! Eu nunca vi essa merda aí antes...

- Claro que nunca o notou, no seu mundo ele é metafísico demais; lá ele é uma idéia intangível e abstrata... beirando a inexistência as vezes... mas aqui... aqui ele é bem real.

Jaime olhou sério para Guilherme e perguntou,

- Eu tô drogado ?? Isso é alguma viagem??

- Não garoto... esse é só o plano que faz o seu funcionar... bem-vindo aos bastidores do plano material... meu nome é Guilherme, sou oque os católicos talvez chamassem de seu "anjo da guarda"...sou o responsável por monitorar você.

- Anjo... da... ah, merda... eu morri ??

- Não muleque burro, foi só uma forma de falar !! Você está vivo...só está...longe de casa.

-Como...por que tu me trouxe aqui??

-Eu não trouxe !! Era pra eu te monitorar até as seis da tarde depois disso devia usar minha Pistola de Indução de Conciência pra te fazer dormir, então eu ia ir pra casa... mas a merda do cubo-mágico parece que serviu de indutor espaço-temporal pra as forças cósmicas de ressonãncia... os filhos da puta da GMR nunca concertam direito essas porra de vazamento!!

- É incrível como cada vez que tu abre a boca eu intendo menos ainda... -a loucura do Universo tinha se atirado com toda força sobre a cabeça do Jaime, que a essa altura já nem achava tão ruim aquela tarde tediosa que ele estava tendo antes de pegar o cubo mágico.

- Tá bom... vamos por partes... o que você quer saber ??

Havia um bilhão de perguntas a serem feitas e ele sabia que resposta delas geraria mais um zilhão de novas perguntas...

- Foda-se cara...só ... me manda de volta pra casa... rápido.

- Bom... essa é uma parte ruim garoto, agora você é uma ameaça a integridade espaço temporal da sua realidade natal... já foi esposto a muito da nossa radiotividade metafísica se fosse pra de volta pro seu plano, não seria mais que um sonho de um sonho... além do

quê, isso comprometria toda a estrutura da realidade... ficar por aqui é a melhor solução... vêm comigo... vou te levar pra tomar um café... não têm idade o suficiente pra andar por aí sozinho... mesmo nesse plano.

Foi quando Jaime entendeu uma coisa... uma constante do Universo... seja qual fosse a situação ele jamais esqueceria da frase que lhe ocorreu...

A VIDA É MESMO UMA MERDA

segunda-feira, 10 de março de 2008

Vinte Minutos

Meia-noite... a chuva cai pesada, lavando o mundo. Gotas escavando a terra macia... formando oceanos microscópicos... a bota ignora tudo, passando na sua frieza sentimental de borracha e couro negro. Hemmignton está ferido, sua testa tem um corte pequeno e as costelas doem. O carro ainda está chiando, amontoado sobre a árvore velha e envergada. Foi uma bela colisão. Hemmington caminha na direção da velha casa vitoriana, procurando alguém. As tábuas da varanda protestam e afundam um pouco, ele bate na porta. Os poucos segundo de espera passam e ele avista uma luz bruxuleante se movendo para a porta... há um rosto ali... branco... uma mulher, cabelos negros escorrendo sobre os ombros, lábios carnudos.
Ela está próxima agora, abrindo a porta.

- Eu pude ver o seu acidente lá da minha janela... está ferido ?

- N-Não, não muito... mas seria bom poder telefonar para o resgate... ou pro guincho...

- Entre por favor, meu nome é Mirna. A eletricidade caui quando a tempestade começou... mas vamos ver se o telefone ainda funciona.

Ele já está dentro da casa, cheira a mofo e coisas de gente velha. Uma película de poeira cobre tudo que ele consegue enxergar; mas lá é mais quente e seco que na rua, e tem um tefelefone.

- Por favor, por aqui moço. - Só agora ele notou que ela está vestida de camisola... e tem belos seios! Uma mulher linda de verdade, com um péssimo agente imobiliário. Ele a segue, passando pela escada que leva ao andar de cima, pelo corredor com retratos de gente esquecida.

- A senhora mora sozinha ?

- Desde o dia em que meu pai faleceu, esta casa foi tudo que ele me deixou, era tudo o que ele tinha...Vivo sozinha aqui desde então... as vezes, me sinto muito solitária.

Ela parou abruptamente as pernas dos dois se esbarraram,,,

- Desculpe... não acha melhor trocar essa roupa antes de qualquer coisa ?

- Não quero incomodar.

- Não, pelo contrário, não quero que um homem tão bonito acabe doente por causa minha...Vamos até o quarto do meu pai, algumas das roupas dele podem servir em você.

Pela forma que eles se olharam, pela voz dela...Hemmington teve certeza que iria transar com ela. E foi assim mesmo. Vinte minutos depois, suados e arfantes, estavam saciados na cama... Apesar de um pouco fria, fazia tempo que Hemmy não encontrava uma mulher assim... havia algo de selvagem nela. Ela adormecera, e ele estava faminto... desceu as escadas lentamente, levando a vela na altura da cabela... procurando qualquer coisa que lembrasse uma cosinha... Um baque, ele está no chão. Algo pesado sobre seu corpo... algo frio... se aproximando de seu pescoço. Com uma cotovelada imprecisa ele se livrou de seu atacante e pôde encara-lo, era Mirna... observando com olhos insanos... mas o que realmente chamava a atenção eram os caninos enormes. Mais rápido do que Hemmington poderia pensar e commais força que ele podia crer, ela o atirou contra a parede. Ele caiu desacoirdado, Mirna o ergueu e abriu a boca... seu corpo clamava pela vida daquele estranho.

As janelas estouraram e houve um claro que a cegou. Não pode ver, mas sentiu o cheiro de suor e houviu os batimentos cardíacos...seis... seis invasores em sua casa.

- Mirna Blackfellow você está presa sobre suspeita de violação das leis da Realidade. Afaste os dentes do pescoço do agente Hemmington. Não vai querer ser acusada de destruir patrimonio da W8, vai ?

Vinte minutos depois...

- Essa vagabunda deve ter me quebrado umas duas costelas... como se já não bastasse eu ter que me acidentar de verdade pra entrar aqui. Que é que teve a idéia de fazer essa operação ? Foi o Steven Seagal ? Não era mais fácil ter invadido a maldita casa durante o dia e carregado o caixão dela ?

- Você faz muitas perguntas Hemmy, acabe o cigarro e entre no Orbital.

- Quando forem dar uma identidade nova pra essa puta, eu quero que seja de garçonete... em algum lugar bem fodido... ou de empregada pra um velho tarado e sem pernas que buline ela o tempo todo...ou...

- Calaboca Hemmy.

Os dois subiram na esfera metálica que flutuava do lado de fora...e sumiram desta dimensão.


esse conto era pra ser infinitamente mais bem trabalhado, ficou ruim da forma que tá agora... mas não me contive; quis romper esse meu albinismo literário...

sábado, 8 de março de 2008

Tento Nosso

A pequena cidade de Tento Nosso “existia” perto de uma usina nuclear. A coisa mais interessante que já aconteceu lá foi quando Seu Surupião perdeu os dedos do pé na máquina de cortar madeira. O que eles estava fazendo com o pé perto da lâmina da máquina ninguém sabe, mas especula-se que envolvia alguma fantasia sórdida secreta.

A Usina Nuclear Claude René dava emprego pra uns 99% da cidade. Tirando Seu Surupião –que cortava madeira- e uns comerciantes –que comercializavam-, todo mundo era empregado do neto de Claude René, um francesinho metido a besta, fedido, chato e com orientação sexual duvidosa. E emo, alguns diziam.

Um dia chegou na cidade Rolão Reginaldo, um preto grande e forte, com duas guitarras nas costas (uma tatuagem bem apagada e uma de verdade) e um passado negro no bolso. Rolão não trabalhava, vivia no bar, bebia, bebia e não se embebedava. Tocava guitarra (sem amplificador), fumava palheiros e observava a cidade com seus olhos manchados.

Então surgiu um boato na cidade, que devido à sua diminuta dimensão, logo se espalhou e ganhou força. Rolão, dizia o virtuoso povo, estava sendo sustentado pelo neto de Claude René, o francesinho de orinteação sexual duvidosa, que já não era mais tão duvidosa assim. E muitos diziam que o fato do primeiro ter chegado à Tento Nosso era premeditado, e não uma (in?)feliz obra do acaso.

Rolão parecia ignorar tais boatos (boatos?), e continuava bebendo e não se embebedando, tocando guitarra sem amplificador, fumando palheiros (de Viradouro) e observando a cidade com seus olhos manchados. O neto de Claude René não se pronunciava a respeito (não que alguém o indagasse a respeito).

Um dia, no bar, Rolão, que nunca havia sequer tocado no nome do neto de Claude René (embora, é claro, teria tocado secretamente em várias outras coisas dele), se embebedou, e disse que o francês era, sim, emo. Ao pronunciar tal fato, Rolão fez cara de “eu não devia ter dito isso” e saiu ás pressas do bar. A cidade riu, mas não durou muito.

No dia seguinte tanto o preto quanto o francês haviam sumido. A usina ficou às moscas, sem administração, veio à falência e desempregou quase toda a cidade (menos Seu Surupião e uns comerciantes, que afinal vieram a ficar desempregados pouco depois, devido à crise).

Em pouco tempo o prefeito foi embora com sua família. E assim morreu Tento Nosso.





(with a litlle help from Marilinha. Muito obrigado meu amoreco =* )

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

I Am The Walrus

Um dia conheci numa lanchonete um garoto que não parava de comer. Obviamente não estou falando de forma literal, afinal, ele também precisava dormir e às vezes tomar banho, mas ainda assim sobrava bastante tempo pra comer.

Quando o conheci, Tuninho tinha 8 anos. Na verdade eu só vi ele um vez, então da última vez que o vi, ele ainda tinha oito anos, e já parecia um filhotinho de morsa, daqueles bem gordinhos, bigodudos (mas Tuninho ainda não tinha bigode) e que não param de comer.

Tuninho me disse que tinha um sonho, e que tal sonho consistia em comer, comer, crescer, até que fosse grande o bastante pra virar um planeta. E aí continuaria comendo até que ficasse tão absurdamente "massudo" que viraria um buraco negro.

Achei um sonho idiota pra um garoto de 8 anos, perguntei de onde tirou isso, e ele disse que gostava de ver documentários.

Achei um hobby idiota pra um garoto de oito anos, mas não disse isso pra ele.

Disse para seguir os seus sonhos e não desistir deles.

Tuninho pediu dois X-bacons, três batatas fritas médias, uma Coca-Cola grande e foi sentar numa mesa pra esperar.

Me perguntei que tipo de pais deixa um filhotinho de morsa ir sozinho na lanchonete com crédito ilimitado.

Paguei meu X-frango e fui embora.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

As portas de Osvald Dooker


Osvald Doomker fazia portas, e era disso que ele gostava...Doomker tinha uma barriga, duas filhas, um bigode, um cachorro e uma esposa chamada Tânia ("Fofinha" nos minutos antes de transarem, ou de ele pedir pra que ele lhe fizesse um favor)...mas ele esquecia de todos estas coisas quando clocava a mão na madeira bruta e começa a talhar as portas, ele era famoso por ser um bom marcineiro, podia fazer muitas peças...mas ele amava as portas!!

Sempre pensava em um dia fazer uma porta especial e a mandar de presente para o Presidente, mas ele sabia que era besteira, era apenas um sonho.Como eu já disse, Domker tinha um barriga (que vinha crescendo), duas filhas (que queriam comprar qualquer coisa que vissem),um bigode (agora acompanhado de uma barba por fazer), um cachorro (que uivava para a Lua e o fazia ter péssimas noites), e uma esposa chamada Tânia (e eles já não faziam sexo com tanta frequência)...

Domker seguia, dia após dia a fazer novas portas, todas cada vez mais elaboradas e coberts de detalhes, pequenos arcos de baixo relevo, aspirais levemente talhadas com uma lámina especial e outras frescuras imagináveis apenas para sua clientela de chatos.E é claro, havaim também as portas mundanas.Mas, já comentei com o leitor oque é que este artista possuía ? Domker tinha uma barriga ( já fazia dias que ele não conseguia ver a ponta dos próprios pés), duas filhas (e uma netinha chorona agora), uma barba enorme (o bigode dava trabalho de mais para ser mantido), um cachorro (que além de uivar a noite toda, cagava todo o gramado), e uma esposa chamada Tânia (eles passavam muito tempo brigando e discutindo, sexo era apenas uma lembrança).

E vejam só! Trevok Morstall, o granfino colecionador de borboletas manda fazer uma encomenda para o nosso adiposo herói!! Que a esta altura da vida, já trabalhava apenas com portas e marcos.Por mais de quatro meses Doomker esteve beirando ao êxtase enquanto realizava os pedidos mais elaborados e pomposos do rico entomologista. Ainda acho que você não entendeu quais eram as coisa que o artesão possuía, vamos retoma-las.Doomker possuía uma barriga (encontrar roupas para o seu número começava a ser algo que dispendia bastante tempo), uma filha (numa briga com a filha mas velha, expulsara ela e o bebê ) um grande barba (que ele resolvera não mais aparar), um cachorro (que uivava, cagava e agora mordia os estranhos), e uma esposa chamada Tânia (brigavam sempre que o nome da filha mais velha era mencionado).

Pois alavancado pelo bom serviço na cas do entomologista Trevok, nosso marcineiro favorito acabou sendo contratado pelo dentita Terence, o mais digno da cidade.Os serviços pra o dentista eram bem menos elaborados, mas Doomker sentia-se como a redescobrir os prazeres da infância, em quanto passava longs horas a esculpir aquelas formas tão simples...Sim, agora vem a parte que falamos sobre as coisas que ele tinha.Uma barriga (começava a ficar descofortável locomover-se em lugares menores que um banheiro), uma filha (era ela que cozinhava, passava e arrumava a casa), uma barba (tomar sopa já não era possível, pois os pêlos chegavam no prato bem mais rápido que a colher), um cachorro (que além de uivar, cagar e morder os estranhos, começava a rosnar para as pessoas conhecidas também), e isso era tudo (Tânia resolvera morar com a filha mais velha e o bebê).

Conforme o tempo pasou, tudo o que sobrou para Osval Doomker foram as suas amadas portas...uma barriga descomunal, uma barba enorme e um cão com um caso sérisímo e diarréia (que ainda assim mantinha forças para atacar selvagemente qualquer coisa que entrasse no perímetro de sua coleira)...Certo dia, quando saiu de sua oficina, morto de fome, tudo que Doomker encontrou foi um bilhete, sua filha mais nova fugira com um garoto chamado Rock'nRoll (já faziam dois dias).

No dia em que acordou e viu o cadáver de seu cão o lado de uma pequena montanha de merda, Doomker abriu uma de suas portas, passou por ela, e nunca mais voltou.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A Garota que Conheci na Cafeteria

Qual a melhor maneira de se aproximar de alguém desconhecido? Derrubando café quente no sujeito e observando sua reação. Foi isso que ela me disse.
De fato, me assustei quando ela disse que fez isso de propósito, só pra se aproximar. Uma queimadura de primeiro grau na coxa não parece muito atrativo, mas bem... ela nunca foi de métodos muito convencionais mesmo...
É engraçado como um rosto feminino bonito pode mudar a atitude de um homem puto. A primeira reação de "CARALHO, MINHA PERNA!" já é logo substituida por "não, não, tudo bem, não dói tanto. Sua casa é aí na frente? Quer que eu vá lá me limpar? Tudo bem".
Pelo olhar desaprovador da dona da cafeteria eu deveria ter percebido que Mina não era flor que se cheirasse.
Nosso primeiro sexo foi bom. Muito bom. Um dos melhores que já havia tido, pra ser sincero. Na terceira vez ela perdiu que a amarasse. Na quinta, que batesse nela. Na sexta, que batesse mais forte. Quando ela pediu que eu usasse o chicote eu nem estranhei muito.
Mina tinha outros hábitos estranhos. Comia pão com nescau, mascava chiclete com pimenta, nunca usava o anel de caveira (estilo Keith Richards) no memso dedo dois dias seguidos e nunca fumava o último cigarro do maço.
OK, isso não é exatamente bizarro, mas tem mais coisas.
Uma vez, durante o coito ela me deu um soco. Sim, um soco na cara. e depois mais um. Nunca tinha observado uma reação tão violenta na hora de gozar. Justo quando eu tinha me acostumado com os palavrões.
Mas Mina uma vez me deu um bom presente de aniversário. Estávamos juntos há 5 meses, e naquela noite ela apareceu em casa com uma amiga, mais gostosa que ela, embora eu obviamente tivesse dito o contrário quando ela me perguntou isso no dia seguinte.
Jessica, a amiga, deu as caras (e não só isso) na minha cama mais umas 3 ou 4 vezes depois.
Na última vez que isso aconteceu, Mina a dopou. Sim, um comprimido na bebida, e Jessica ficou completamente indefesa, ao nosso bel-prazer. É claro que eu achei aquilo bizarro demais, me assustei e não pude fazer porra nenhuma com a coitada. E pude perceber que aquela não era a primeira vez que minha namorada fazia aquilo com alguém.
Deixamos Jessica apagada na casa dela, sem mais explicações, e voltamos para meu lar. Obviamente me senti um pouco culpado com isso, mas não sabia o que fazer.
No dia seguinte Mina se desculpou, admitiu ter passado dos limites e disse que fez tudo só com a intenção de me agradar. Brincar de "Boa-noite Cinderela" com uma amiga... Que bela maneira de se agradar o namorado... Mas é difícil não perdoá-la quando ela olha com aquela cara de Gato de Botas do Shrek...
Certo dia, Mina me disse que queria virar vegetariana, o que absolutamente não combinava com o estilão dela. Fã incondicional do McDonalds (embora sempre conseguisse manter a forma), isso era a última coisa que se esperaria dela.
Me chamou para um "jantar de despedida da carne", na casa dela. Só que ela não me avisou que pretendia comer carne crua. Com sangue. Porra, nesse momento eu tive CERTEZA que tinha algo fodidamente errado com a garota.
Quando saí pra comprar comida chinesa, me desculpando por não acompanhá-la em seu bizarro banquete, reparei sangue e pelos na lata de lixo em frente sua casa. Quando voltei para o jantar, a vizinha e sua filha de oito anos estavam na rua gritando, chamando em vão o pobre Dr. Shazam.
Não comentei nada durante o "jantar", mas estranhei quando, ao ir embora (não pernoitei porque precisava acabar uns projetos para o dia seguinte), vi que na casa da vizinha, o gato estava de volta. Me senti um pouco mal por desconfiar de minha amável companheira.
Mas esse pesar não durou muito, pois nesse dia tive que terminar com Mina.
Eu cheguei em casa, e fui dar comida para meu gato, Ampersand. Que gato? Hm... por acaso os pêlos na lixeira eram pretos? Vadia...
Ela chorou, prometeu melhorar, ser mais "normal", me dar outro gato, um cachorro, um macaco. O "foda-se" a atingiu como um tiro. Bem no peito. Ela mereceu...
E aí ela começou a me perseguir. Podia ser paranóia minha, mas ela estava em todo lugar que eu ia.
E deixava recados na minha porta, no meu escritório, na casa da minha amada mãe. Eu troquei a porra do número do meu celular, porque recebia mensagens a cada meia hora, a cada EXATA meia hora, 12 por dia. Desculpas e promessas desesperadas. Tive que dar umas boas broncas nela pessoalmente umas 2 ou 3 vezes.
E hoje, quando cheguei na porta do meu apartamento senti o perfume dela. A porta estava destrancada. Pétalas de rosa no chão percorriam o caminho até meu quarto. E ao entrar nele, sem perceber que ela estava atrás da porta, tive meu pescoço sufocado por seus delicados braços. Pensei que meus magrelos 70 Kg não estavam me ajudando muito a me livrar da garota que malhava duas horas por dia desde os 16 anos. Pensei que nunca devia ter saído da academia 6 meses após começar, e então minha carótida parou de oxigenar meu cérebro e eu desmaiei. Quando acordei no meu quarto, tudo havia sido retirado, exceto por meu caderno e uma caneta. A primeira página dizia "você morre hoje, e o assasino não serei eu, e sim o meu amor".
E assim escrevo essas páginas, na esperança de um dia virar personagem de Stephen King. Talvez fosse isso que ela queria ao me deixar o caderno e a caneta. Ou não. Com Mina nunca se sabe. Enquanto penso num jeito de manter essa história a salvo de suas loucuras, e torço para ter tempo de fazer isso, só consigo pensar em 4 lições pra finalizar:
1 - nunca faça uma mulher louca se sentir rejeitada
2 - café quente é uma péssima maneira de se conhecer um(a) parceiro(a)
3 - se você é a porra de um nerd magrelo, feio e semi-calvo, desconfie de qualquer gostosa que te dê moral
4 - foda-se, vou ver se ela quer uma última transa antes de me matar...


-H.J.S, assasinado pelo "amor"