terça-feira, 24 de junho de 2008

Amigo de um Amigo

Ouvindo Smoke on the Water ontem, lembrei de uma história curiosa sobre um cara, um amigo de um amigo meu. Esse amigo de meu amigo, chamava-se Q*, vivia numa cidadezinha chamada Merreca do Norte, no sul Rio Grande do Sul. Conta ele que certa vez, ao andar pela praça da cidade (sim, só tem uma), viu um cara de cerca de 26 anos sentado no banco (sim, só tinha um). O rapaz era alto, magro, cabeludo e bebia demais. Q* sabia disso pois ao passar pelo rapaz, este o abordou dizendo:

-Cara, eu bebo demais!

Nessa época de sua vida, Q* estava tomando remédios para controlar a depressão, cujo efeito colateral era deixar a pessoa um tanto quanto distraída, o que explica a razão de Q* quase sempre responder às pessoas com um “Quê?”

-Quê?

-Eu bebo demais.

-Hmm...

-É sério, olha só, nesse momento, estou vendo você com uma blusa vermelha.

-Mas eu estou com uma blusa vermelha!

-E agora sinto como se você tivesse acabado de dizer que está com um blusa vermelha.

-Mas eu—

-Shhh!

-????

-Han?

-Porquê você mandou eu ficar quieto?

-Eu?

-Sim, você acabou de fazer “shhhhh”...

-Não, eu fiz “Shhh!”.

-E aí?

-Tudo certo, e você?

-Não! E aí, porque você fez “Shhh!”?

-Ah sim, é que o velho Bruce Wayne passou por nós.

-O Batman?

-Oooo! Não fale isso em voz alta! Caralho, achei que só eu soubesse o segredo dele...

-Você se refere àquele velhinho ali?

-Sim.

-Mas aquele é o Seu Vieira, dono do bar (sim, só tinha um).

-Isso, isso, vamos deixar isso combinado.

Nesse momento, Q* percebeu o que estava fazendo nos últimos 2 minutos:

-Olha cara, eu preciso ir... nem sei porque estou conversando com você em primeiro lugar...

-Eu bebo demais.

-Sim, eu já sei, e daí?

-Não, nós estamos conversando porque eu bebo demais.

-Olha, tenho mesmo que ir—

-Afinal, você é só um produto da minha mente de alcoólatra.

-Não, senhor, eu sou muito real, se tem alguém aqui imaginário, provavelmente é você!

E com essas palavras, o rapaz sentado no banco desapareceu. Do nada. Sem deixar vestígios. Fim. C’est fini. Q* percebeu que dezenas de pessoas estavam ao seu redor, olhando para ele.

Q* hoje vive feliz com seus iguais num Manicômio em Santa Rita do Passa Quatro. Passa o dia conversando com seu amigo alcoólatra e limpando sua coleção de LP’s do Deep Purple, a qual ganhou como herança de um dos seus colegas de quarto.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Horror Mudo


Melhor seria deitar, dormir e escrever esse texto amanhã... Mas não!! Preciso escrever agora, sob efeito do.... espanto ? Medo ? Algo por aí. Mas vamos começar do começo... Óbviamente por perambular demais onde não devia (no bunker, pra ser mais exato) encontrei algo inesperado. Encontrei um artista chamado Thomas Ott, suíço, nascido em Zurique e detentor dum estilo único de contar histórias... histórias muito especiais. Dois pontos que fazem a parte gráfica do artista interessante: a total ausência de dialogos em suas histórias (isso mesmo, nenhum mísero balão); a outra é a utilização do scrathboard (pelo que entendi é feito raspando a tinta branca de uma plataforma negra), que fica me fazendo lembrar d'O Grito, aquele quadro medonho.

Agora, o que faz das histórias desse cara verdadeiramente melhores que qualquer outra coisas que se lê por aí ? Bom, talvez seja pelo tipo de horror que nos é apresentado, algo que parece poder acontecer com qualquer um. Escatológico, doentio e bizarro são eufemismos para definir o mundo de Ott. Se com um punhado de areia o Sandman de Neil Gaiman nos mostrava o que era o horror; com 15 páginas o suíço nos mostra que nem só de lendas revisitadas e sub cultura gótica é feito o dito "horror".

Por menores que tenham sido meus últimos posts não pensem que estou postando só por postar!! É que realmente não há muito mais o que falar... é preciso que você se preste a comprar/baixar a obra deste gênio.

Greatings from Helville - uma compilação com histórias boas, mas não são o melhor e tudo. Servem como uma iniciação ao universo do autor.

La Douane - ondeshot (história fechada) filosófica que (imagino eu) tem a ver com o preço de se ser puro e digno.

Tales of Error - é obviamente uma homenagem às revistas de mistério e horror da EC Comics e similares , tanto que "Clean Up" é uma história com um roteiro exatamente igual a outra, mais antiga que já havia sido apresentada nas páginas da clássica revista brasileira: "Cripta do Terror". O livro termina com "10 Way To Kill Your Husband" ("10 Maneiras de Matar Seu Marido) ... e é algo que eu ficaria muito feliz se minha namorada nunca lesse.

Cinema Panopticum - aqui sim, se encontarm as histórias mais inspiradas e grotescas, que, sinceramente me arrepiaram e me fizeram ter medo do escuro. Basicamente é sobre uma garotinha que entra num parque de diversões e descobre que seu dinheiro só é suficiente para as estranhas máquinas que passam sempre as mesmas histórias. Um delas, chamada "The Hotel" me pegou de jeito...

Bom; é isso!! baixem e comentem, por favor.

PASTA : THOMAS OTT

Maurice Tillet, o ogro bonitão



Já fazia um tempo eu havia ouvido a história do Tillet, infelizmente não tem muita informação sobre ele a não ser o texto que eu agora colo aqui.

"Maurice Tillet, nasceu na França em 1903. Ele era um homem muito inteligente, que falava 14 idiomas, além de ser um exímio poeta e ator. Quando chegou à juventude, Maurice começou a desenvolver uma doença rara, chamada acromegalia. Esta doença causa um crescimento exacerbado e incontrolável de partes do corpo. Em pouco tempo, todo o seu corpo se desfigurou de uma maneira muito peculiar.Na verdade, esta “transformação” afetou profundamente os aspectos psicológicos da personalidade de Tillet, que sofreu os horrores de começar a se transformar de uma maneira grotesca, apesar de por dentro continuar sendo um gentleman super inteligente. Sua forma gerava tanto preconceito que Tillet começou a ser expulso dos lugares que freqüentava e onde antes era bem recebido.Por fim, o verdadeiro Shrek acabou se tornando um lutador de vale tudo nos Estados Unidos. Onde lutou e por causa de sua doença, acabou se tornando recluso e morrendo aos 51 anos."

domingo, 1 de junho de 2008

Do-It-Yourself

Vagando pelo Vertigem, resolvi visitar algum dos parceiros dele, pois tava sem porra nenhuma pra fazer, e meu orgulho me impede de ir dormir imediatamente, o que seria o mais apropriado no momento.
O primeiro link que bati o olho -por sorte- foi o Falcatruas Online. Sem fazer idéia do que iria encontrar, criquei...
E olha só, achei um blog bem massa, onde são postadas regularmente intruções pra montar as mais diversas coisas forma caseira, que qualquer pessoa (na maioria das vezes) pode fazer com materias de fácil acesso (na maioria das vezes).
Além disso, o cara ainda posta algumas apostilas, como de massagem, artes marciais e até algo de culinária.
Só pra citar alguns mais legais/interessantes/do meu gosto, e para você ter uma idéia do que vai achar por lá: tem Narguile Caseiro, uma técnica de massagem japonesa (sim, eu curto isso, e daí?), Mini Ar-Condicionado USB, Guia de Recuperação de MP3 Players, Vidro de Açúcar (sempre quis fazer um desses gigante, só pra depois sair correndo e pular no meio dele), curso de como desenhar os Simpsons! (escrito pelo próprio Matt Groening), uma arminha de rolo de papel higiênico e bexiga que atira coisinhas pequenas e faz um estrago legal, e um guia pra malhar usando materiais domésticos (praquelas pessoas que esse ano foram morar com a vó e ela não para de comprar doces pra você, além de você estar numa cidade grande que você não conhece e só anda de ônibus, diferente de quando você morava naquele fim de mundo e só ia a pé de um canto pro outro - enfim - e tá ficando roliço).

Bom, fica aí a dica, visitem, vale a pena.

E agora posso ir dormir, com a sensação de dever cumprido. E tenho que ir logo, porque amanhã cedo fiquei de ir na feira com a minha vó...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Little People Project

Perambulando pelos becos inóspitos da Internet, encontrei o blog desse inglês, “Slinkachu”, um artista simplismenete notável; o trabalho com miniaturas, da uma perspectiva familiar, ainda assim nova, das grandes cidades. Vejam por vocês mesmos. (Link pro blog do fotógrafo)


"HOUR OF RUSH"



"BRITISH HEROES"



"JANUARY 1st"



"NUART SHOW"



"SMALL GODS"




E quando andar por aí, mantenha-se atento, talvez você veja alguma das obras de arte rastejando pela calçada.

sábado, 24 de maio de 2008

Mais Um Texto Sobre Super Caras

Existem um milhão de maneiras diferentes de se falar de um mesmo assunto; e quando o assunto é algo tão vasto quanto "super-heróis", talvez exista um número de maneiras de abordar o assunto, igualmente proporcional ao número de autores. Pensei nisso quando me dei conta que a grande maioria das hq's que leio, é sobre esses cara que conseguem levantar carros com uma só mão ou correr na velocidade de dobra espacial; ainda assim, cada um destes universos que contém os personagens, é único, tendo pouco (ou nada) a ver entre si. Assim sendo, formulei essa pequena lista, que funciona ao mesmo tempo como uma porção de dicas do que você deveria ler, e uma mostra de como a imaginação de certos autores pode vir a acrescentar num determinado ramo da ficação.

The Astounding Wolf-Man : Depois de ser atacado por um urso selvagem, enquanto tirava férias, o ricaço Gary Hampton é internado em estado grave no hospital. Mas antes mesmo de chegar na página oito da primeira edição você já entende que, não foi um urso de verdade que o atacou, e sim um lobisomem; então, ajudado por um vampiro chamado Zachariah, Gary começa a traçar uma nova carreira: a de super-herói. Não sei qual é o status atual da série, já que o Vertigem lançou apenas quatro edições, realmente espero que haja bem mais do que isso para ser apreciado pois Astouding Wolf-Man é verdadeiramente uma bela série para os fãs que que se diexam levar pelos roteiros que misturam intriga, drama e humor de uma maneira bem incomum (cortesia do genial Robert Kirkman, criador de The Walking Dead, da qual falarei em um futuro post). Num mundo onde super caras e monstros da cultura pop se misturam, a arte e as cores de Jason Howard caem como uma luva, e em poucos segundos você não consegue mais pensar como seria a revista com outro desenhista no comando. Em suma, o título de "Astounding" ("surpreendente") não é atoa, taí uma obra que deveria ser publicada na nossa terrinha. Ao total a série possuí 24 números, por enquanto apenas quatro foram traduzidos.

Bem- Vindo à Tranquilidade : Aqui, nos deparamos com o cotidiano da pacata cidade de Tranquilidade, onde grandes heróis (e até mesmo alguns vilões) do passado podem ter uma velhice confortável e digna. O primeiro arco começa quando o Sr. A, herói renomado e muito bem quisto na cidade, é misteriosa e mortalmente ferido em uma lanchonete, durante uma confusão com heróis "da nova geração", apartir daí, a trama se expande, e passa a nos mostrar pequenas subtramas, interligadas ao assassinato, mas ainda assim, independentes em termos narrativos. Um dos pontos altos desta série, é o tributo que se faz aos grandes ícones dos quadrinhos, como o personagem Maximan, que igaul ao Capitão Marvel (da DC), precisava apenas dizer uma palavra para ganhar atributos divinos... mas, infelizmente, Maxi, por causa de idade, esqueceu QUAL palavra lhe concedia seus poderes. Assuntos mais sérios, como violência policial e liberdade de imprensa também são abordados, de forma sutil.

DEMO : A série tem ao total, doze números, cada um funcionando como uma crônica sobre pessoas com habilidades especias, mas que nada tem a ver com os ditos "heróis"; os personagens são gente comum, do tipo que você poderia encontrar em qualquer fila de banco ou loja de conveniências; claro, algumas deles são imortais e outros capazes de derrubar paredes inteiras com um só golpe, mas ainda assim, psicológicamente, são mais parecidos com eu e você do que com o Superman; tanto que os dialogos e os relacionamentos, são o ponto principal de todas as tramas. A desenhista, Becky Cloonan (de American Virgin) tem um traço mais para o lado dos mangás, e em cada edição o traço se adapta ao contexto e a velocidade da narrativa, mostrando o talento e o tato da moça. Recomendo que se leia ao menos duas edições: Fique Firme, sobre um skinhead refletindo sobre suas amizades e sobre a família; e Mixtape, que nem envolve super caras nem nada do gênero, mas ainda assim consegue ser a melhor e mais tocante das crônicas.

Alias : Brian Michael Bendis e Michael Gaydos são os reponsáveis por dar vida a Jessica Jones, uma detetive especializada em casos fora do comum; as histórias se passam no mesmo universo
tradicional da Marvel, e Jessica, no passado, era membro reserva dos Vingadores. Personagens conhecidos do público, como Luke Cage, Matt Murdock e até o "charmoso" J. J. Jameson aparecem com certa frequência; o ponto forte da série é a humanização dos personagens, com uma abordagem (sempre ela) mais realista. Uma série assim fazia e ( agora que acabou) continua fazendo falta para quem gosta de histórias bem elaboradas, mas que não envolvam ameaças intergalacticas... ou qualquer coisa que tenha a ver com o Galactus. Alias teve vinte e uma edições e dois especiais.

Supremos : o Universo Ultimate, é uma versão moderninha do universo normal da Marvel, já existe há um bom tempo, com diversas mini-séries, e alguns títulos regulares, como Homem-Aranha Ultimate (onde o B. Michael Bendis, enrolou, enrolou e não fez nada realmente
bom); Quarteto Fantástico Ultimate (nem me animei a ler, já que sempre detestei essa família); X-Men Ultimate (com vários roteiristas e desenhistas, todos mantendo uma bela média) e... Supremos, a versão modernosa dos Vingadores. Pessoalmente, os vingadores originais nunca me atrairam a atenção, por possuírem como membros, os personagens com quem eu menos me identificava/admirava: Thor, Homem de Ferro, Vespa, Capitão América, Homem Formiga e Gavião Arqueiro. Foi ler as primeiras páginas da edição número um de Supermos, e minha visão mudou totalmente; finalmente eu via defeitos e características de seres humanos naqueles personagens que pareciam tão tacanhos no universo tradicional; Thor é um ativista ambiental; Capitão América se vê totalmente deslocado num mundo décadas a sua frente; Vespa e Homem Formiga finalmente deixam o status de buchas de canhão e se tornam preciosos para as tramas... sem falar nas aparições animalescas do Hulk. Enfim, há muitíssimo a se elogiar nos dois primeiros volumes. O terceiro volume peca muito, escrachando, logo na primeira edição, algumas sub tramas que Mark Millar demorou quase trinta edições para criar; além do fato irritante de que a equipe agora se odeia e ameaças de morte são feitas sem muita preocupação... Antes o grupo tinha problemas de realacionamento entre seus integrantes, agora provavelmente por falta de capacidade intelectual do roterista, sequer existe relação entre os membros. além do mais, a arte do Joe Madureira não tem a ver com os Supremos.


Top Ten : Alan Moore, o maldito bardo barbudo criou um drama policial tendo como cenário a megalópole de Néopolis, localizada física e cronológicamente sabe-se lá onde. Neópolis é uma cidade colossal, visitada por astronautas, seres extra planares, viajantes do tempo, monstros gigantes, e até deuses, o lugar é obviamente um caos, ainda mais se levarmos em conta o fato de que todos (todos mesmo) habitantes da cidade tem algum tipo de super habilidade. Num cenário desses, drogas, bebidas e prostitução não são incomuns, logo, os crimes também não; conclusão: ser policial em Neópolis é uma merda. O primeiro volume da série começa com a novata, Robin, entrando para o quadro de funcionários da polícia local, e tendo que se acosumar com o mal humor de Swax, seu parceiro; enquanto lidam com problemas pessoais e proficionais, os tiras precisam capturar "o Libra" um assassino de prostitutas que não deixa nenhuma mísera pista. Os conceitos de realidades alternativas usados por Moore quando ele escrevia sobre Capitão Bretanha estão de volta, com terras onde a Era de Ouro dos gregos nunca acabou vibrando próxima de uma Terra onde os ovas (aqueles robôs japoneses que aparecem no Neo Genesis Evangelion) são comuns. Na minha modesta opinião, Top Ten é a melhor das obras do bom, velho, feio e carrancudo Alan Moore. Rendeu dois volumes, mais o especial "Fourty Niners" (sobre como as coisas ficaram tão malucas), e uma mini-série em 7 números mostrando mundo natal do carrancudo Swax (num tom bem mais leve que as outras duas).

Vou ficando por aqui... sei que algumas revistas que coloquei na lista, já foram publicadas há um certo tempo, e outras talvez nunca cheguem a ser publicadas, mas não dá pra saber o que o caro e desocupado leitor deste blog já conhece ou não, por isso resolvi falar de todas que me vieram a cabeça.

PS:
Sabem a mini-série que falei lá em cima ? DEMO ? Pois é, a boa notícia é que o roteirista da mini-série, Brian Wood (de Northlander's e DMZ), já assinou contrato para o segundo volume. Numa entrevista recente, o autor contou quais serão os próximos temas a serem trabalhados: "Canibalismo, respirar debaixo d´água, transtorno obsessivo compulsivo, auto-detonação, fonte de energia, projeção astral... esses são os assuntos dos quais quero tratar dessa vez. Já comecei a escrever a edição de canibalismo." Também foram divulgadas três capas do novo volume, veja aqui, e acolá edição. E ainda existe a possibilidade de algumas das hitórias virarem filmes!!

PS 2: diferente do Zarp, eu fiquei aqui a noite inteira!! E como ainda tenho que arrumar alguns detalhes, upar as séries e pôr os linksvou ficar aqui até de manhã. Vida cruel essa de blogueiromedíocre. \o/ . Go!! Go!! NC!!


Todas as revistas podem ser encontradas no HD virtual do nosso blog

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Sobre Amor e Enganos

Então, havia essa menina. E eu me apaixonei por ela, e ela se apaixonou por mim.
Mas a família dela não me curtia, muito menos o bode velho do pai dela. E ele achava que eu não era bom pra ela.
Mas eu não tenho culpa se ela curte pinto grande, a gente se curtiu e pronto.
E um dia, indo buscá-la na casa dela, encontro o nazista safado que me diz que eu nunca vou ser nada na vida, que estou acabando com a família dele, que isso só pode dar merda, e ainda faz uns comentários anti-semitas
-Mas você não é judeu, cara...
-Mas ele não sabia disso, e cala a boca que é minha vez de falar.
E aí eu fiquei com vontade de matar o gordo chifrudo, e como eu não passo vontade, mandei um pacote especial pra casa dele, e hoje ele dorme com os peixes.
-Ah, mas como assim, pacote especial?
-Ah, esquece, você não pega o poético da coisa, tô de saco cheio. Me diz logo quantos pai-nossos eu devo rezar e vamos acabar logo com isso.
-Mas eu não sou padre.
-Não?
-Não, sou vendedor de peixes.
-Ah então acho que você sabe demais.
-Mas peraí, é brincadeira não é?
-Não, eu pareço que tô brincando?
-Pô, mas você vem aqui contar isso pra mim, eu achei que todo mundo que viesse aqui contasse algo inventado na hora.
-E eu achei que você fosse padre.
-Sabe de uma coisa, eu não sei mais o que tá acontencendo, vou embora, e chega dessa palhaçada, avisa o Louie que eu não volto mais.
-Você conhece o Louie?
-Conheço, poque?
-Ah, esquece, e esquece aquilo de você saber demais, tá tudo na boa, até mais.
-Tchau.
-Tchau, padre.


("conto" escrito em 6 minutos revisado em 1 e meio, enquanto espero uns amigo virem me buscar pra tomar cerveja)

sábado, 10 de maio de 2008

Sobre ectoplasma e Nicotina.

Meu nome é Earl... e eu morri faz uns dois meses atras... um tiro bem em cima da orelha direita,,, a queima-roupa... deve dar pra notar, não precisa fingir que não; as pessoas acham que me importo q fiquem olhando os pedaços do meu cérebro trabalhando ou essa porra de olho dependurado... mas, o que posso fazer ? É meio engraçado mesmo.

Dois meses cara... dois meses que eu tô andando pela cidade, atravessando paredes e vendo as pessoas por aí. lembra dos filmes ? Diziam que as pessoas viravam fantasmas (he, ainda não acostumei a pensar que sou um... fantasma) porque tinham assuntos inacabados com o mundo dos vivos; isso é bem verdade... tem muitos que nessa por causa de vingança... por amor ou por culpa... eu... cara, é idiota, mas não sei por que ainda tô aqui.

Vou te contar umas coisas, tu é novato por aqui... eu também, mas sei umas coisas que podem ser úteis; senta aí na calçada. Pra começar, tu já deve ter visto uns outros "de nós" por aí... São mais brilhantes que os caras vivos, né ? Tipo uma aura, como se tivessem com um holofote em cima da cabeça. Bom, tem um pessoal que sempre aparece por aqui, uns são gente boa, mas a maioria é um pé no saco... sempre se remoendo e choramingando de como era bom estar vivo... sinceramente, ter que cagar e pagar contas não me parece muito digno de saudades. O que tinha de bom ? Talvez se eles fossem ricos ou tivessem uma mulher gostosa... mas eu, eu só tinha as provas da faculdade e as minhas revitas; falando nisso, tu já gosta de história em quadrinhos ? Cara, morreria de novo só pra saber como é o final de Y!! não conhece ? Ah, esquece.

Voltando a falar do pessoal, tem um muito figura, o Antony... atropelou um moleque... fugiu e deixou a criança pra morrer na rua, ele tava em pânico, disse que quando se flagrou, já tava em casa. o cara se sentiu um merda, não culpo ele, eu me sentiria também... mas, vê se não é coisa de babaca, o Tony resolveu se matar pra fugir da culpa, que a essa altura não deixava ele nem olhar na cara da própria esposa. O cara foi e cortou os pulsos... tudo pra fugir da culpa; he, não deu muito certo, ele continua aí... se sentindo o mais fudido dos seres. Ele é legal, saca ? Da pra conversar na boa com ele... (e isso é ainda mais valioso depois da morte, quando se é um fantasma, conversar é umas poucas coisas que dá pra fazer) mas nem pense em pronunciar qualquer frase em que a palavra "carro" se encontre com "criança", quando ele tiver por perto.

Aí eu me pergunto... como é que ele cortou os pulsos e não tem nem marcas do corte, enquanto eu, fico parecendo o uma bosta de zumbi do Romero, com o olho dependurado e o cérebro aparecendo. Tenho uma teoria quanto a isso: nossa forma "fantasmagórica ", é definida pelas lembranças que nós e os vivos tem da gente. Quer dizer, eu não era um cara muito popular, então é mais fácil ser lembrado como o cara que ficou com a cabeça detonada do que como o cara que gostava de física. É foda, pensa nas celebridades, as pessoas sempre vão lembrar deles no auge da beleza e do sucesso... Os desgraçados tiveram tudo do bom e do melhor em vida, e quando morrem, ainda perdem todas as rugas. Falando nessas coisas, do que a gente traz ou não pra cá... acredita que não da pra se livrar dos velhos vícios ? Sério! Anida tenho uma vontade fodida de beber cerveja nos dias de calor... quer dizer, nos dias de sol forte, por que nem dá pra sentir direito as diferenças de temperatura, né ? A gente fica mais dormente quanto a isso. mas tem outras coisas que compensam, não sei se tu vai acreditar em mim... mas tem um vampiro que mora no Fuccini, aquele bairro perto do porto... eu sei por que quando eu vejo ele, da pra ver o sangue dos caras mortos correndo por ele... Da pra ver cada traço doentio dele, que os caras vivos não conseguem ver; e mesmo não diferenciando bem as temperaturas, quando tô perto dele, sinto um frio desgraçado. Tipo, quando foi que tu ouviu falar dum vampiro que suga fantasmas ? Pois é, mesmo assim não gosto de ficar do mesmo lado da rua que aquele doido.

E os animais ? uma ou duas vezes vi fantasmas de cães, e um vez vi uma coisa num telhado, que se parecia com um gato. mas ainda não vi nenhum pássaro ou peixe... nimguém deve ligar muito pra eles quando tão vivos. o doc, um mendigo que morreu de tuberculose aqui perto, uma vez me contou que viu um peixe... que o bicho nadava pelo ar. deve ter sido bacana... bem psicodélico.

Quer um cigarro ? Olha como eu sô um car de sorte, vê como eu tenho motivos pra gostar mais daqui do que do mundo vivo... eu trouxe cigarros!! Não deixo mais nimguém saber disso, então espero que tu saiba guardar segredo. Por favor não conta pra nimguém!! Mas uma coisa muito importante agora: tens fósforos ?

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Texto escrito sobre a total influência da nicotina